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Redação ZaaZ · economia

Fim da escala 6x1: Giraffas testa novas jornadas e aposta em tecnologia para reduzir custos

CEO da rede afirma que o modelo tradicional já dificultava a contratação de funcionários. Empresa avalia escalas alternativas para garantir mais folgas sem comprometer o atendimento e a rentabilidade.

Por Redação ZaaZ · ontem

O fim da escala 6x1 está levando empresas de diferentes setores a rever a organização de suas equipes. No ramo de alimentação, em que restaurantes precisam funcionar inclusive aos fins de semana e feriados, a mudança exige planejamento para conciliar o descanso dos funcionários com a continuidade das operações.

A rede de restaurantes Giraffas já vinha estudando alternativas ao modelo tradicional de trabalho antes do avanço das mudanças na legislação. Segundo o CEO da companhia, Carlos Guerra, a escala 6x1 já representava um obstáculo para atrair profissionais.

A empresa passou a avaliar diferentes formatos de jornada, considerando as necessidades de cada unidade, o volume de clientes e os custos envolvidos. A estratégia é encontrar soluções que permitam ampliar os períodos de descanso dos trabalhadores sem prejudicar a experiência dos consumidores ou a rentabilidade dos franqueados.

Giraffas avalia escalas 5x2, 6x2 e 12x36

Entre as alternativas analisadas pela rede estão as escalas 5x2, 6x2 e 12x36, além de modelos híbridos. A escolha dependerá das características de cada restaurante, já que o movimento e a necessidade de funcionários variam conforme a localização e os horários de funcionamento.

Unidades instaladas em shopping centers, por exemplo, podem apresentar uma dinâmica diferente daquela encontrada em restaurantes de rua. Os períodos de almoço e jantar também influenciam o dimensionamento das equipes.

Por esse motivo, a empresa não pretende adotar necessariamente um único formato para toda a rede. A proposta é avaliar cada operação individualmente e ajustar a distribuição das jornadas de acordo com a demanda.

A rede já utiliza a escala 12x36 em diversas unidades e vem apresentando outras possibilidades aos franqueados. As simulações também levam em conta a necessidade de manter o atendimento nos horários de maior movimento.

Como o fim da escala 6x1 pode afetar os restaurantes?

O principal desafio para as empresas de alimentação é garantir que os estabelecimentos continuem funcionando normalmente mesmo com a reorganização dos turnos e das folgas.

A redução da jornada pode exigir mudanças na distribuição dos funcionários e, dependendo da operação, novas contratações ou reforço das equipes em períodos específicos.

O Giraffas também utiliza trabalhadores contratados em regime intermitente em algumas operações, especialmente para atender às necessidades de determinados horários e fins de semana. Esse formato segue regras próprias e pode ser uma das alternativas avaliadas pelas empresas para lidar com variações na demanda.

O setor, porém, enfrenta um desafio adicional: encontrar um equilíbrio entre as condições de trabalho, a qualidade do serviço e os custos operacionais.

Para redes com grande número de unidades franqueadas, a adaptação precisa considerar tanto a realidade de cada restaurante quanto a sustentabilidade financeira do negócio.

Nova jornada de trabalho prevê transição gradual

A mudança na legislação trabalhista avançou em outubro de 2026, com a promulgação da emenda constitucional que estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A transição prevê que, após 60 dias da promulgação, a jornada máxima passe para 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas.

A alteração representa uma transformação importante para setores que dependem de equipes presenciais e precisam manter suas atividades durante toda a semana.

No caso dos restaurantes, será necessário reorganizar escalas, avaliar a necessidade de pessoal e rever processos para garantir que os períodos de descanso sejam respeitados sem comprometer o funcionamento das unidades.

Tecnologia é aposta para aumentar a produtividade

Além de rever as jornadas, o Giraffas aposta em tecnologia e mudanças nos processos internos para melhorar a produtividade.

Uma das iniciativas consiste em transferir parte das etapas de preparação dos alimentos para a indústria. Com determinados procedimentos realizados previamente, as equipes das lojas podem trabalhar com processos mais simples e padronizados.

Outra medida é ampliar o uso de terminais de autoatendimento. A previsão divulgada pela empresa é levar essa tecnologia a todas as unidades da rede até o fim de 2026.

Com os equipamentos, os próprios clientes podem registrar seus pedidos, o que pode tornar o atendimento mais ágil e reorganizar algumas tarefas realizadas pelos funcionários.

A estratégia é reduzir a complexidade das operações e melhorar a eficiência para ajudar a preservar as margens dos franqueados diante das mudanças na jornada de trabalho.

Isso não significa, necessariamente, que a tecnologia eliminará a necessidade de novas contratações. O número de funcionários adicionais e o impacto financeiro total da mudança ainda não foram detalhados pela companhia.

Empresas terão de equilibrar custos e condições de trabalho

A experiência do Giraffas mostra como o fim da escala 6x1 pode acelerar mudanças na gestão de pessoas e nos processos operacionais.

Para empresas que dependem de atendimento presencial, a adaptação envolve mais do que distribuir folgas. Também exige avaliar os horários de maior movimento, a produtividade das equipes, os custos de operação e a experiência dos clientes.

O uso de tecnologia, a revisão dos processos e o planejamento das escalas podem ajudar a reduzir dificuldades durante a transição. Ainda assim, os resultados dependerão das características de cada negócio e da capacidade de implementar mudanças sem comprometer a qualidade do serviço.

O desafio para o setor de alimentação será conciliar a ampliação do descanso dos trabalhadores com a continuidade das operações e a saúde financeira dos estabelecimentos.

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